In obscura dominiis
Eugenio de Andrade
(accommodatae: H.M. de Oliveira)

diligentes vos revelatum
luto et inter incendio.
bibere sonitus luminum
inter labra tua.

labitur in clivo
de collo tuo, et musicorum
tacitus fontes
intentoque.

ignis perfectus
aut vertigine
osculari osculum,
candor fracta

alte in dulcedinem harenæ
vel igni,
holocaustum in lucem
vel in oculus tuus, cærulei coloris,

et aurum, de nocte
inter clausis folia,
in navigabilis
sinu cupiditas,

ubi furor est vivunt
rigidas acus,
ex quo et sanguinis profusio
revelabitur nudum, aquam tua.

Obscuro Domínio
Eugénio de Andrade

Amar-te assim desvelado
entre barro fresco e ardor.
Sorver o rumor das luzes
entre os teus lábios fendidos.

Deslizar pela vertente
da garganta, ser música
onde o silêncio aflui
e se concentra.

Irreprimível queimadura
ou vertigem desdobrada
beijo a beijo,
brancura dilacerada

Penetrar na doçura da areia
ou do lume,
na luz queimada
da pupila mais azul,

no oiro anoitecido
entre pétalas cerradas,
no alto e navegável
golfo do desejo,

onde o furor habita
crispado de agulhas,
onde faça sangrar
as tuas águas nuas.