Nocte color de somno surgere, somnium color
Dantis Mediolanensis.
(vulgata: H.M. de Oliveira)

Nocte color corpora ex somno moliebantur, somnium color,
Ardentis in tenebris quasi radius remugit,
Summitate cæli, fœdamque erat.
Et mulieri non locum latendi,

Quod confractum capillus
In brachiis meis ludet. Sic absorptus,
Vidi corpore cum diligis syncopen
Quia vidi faciem tuam, quasi osculans videtur mortuus.

Tamquam rupto vulneris ei osculum labiis suis
Os conformatur risu
Ambæ quasi osculum nocere.

Amor visiones habuit incertus.
Corpus tradita, sed dubia
Submersam obiecit revelata manus.


Na noite cor de sono, cor de sonho
Dante Milano

Na noite cor de sono, cor de sonho,
Fulgurando na treva, um raio estronda,
Final do céu, divino mas medonho.
E uma mulher sem ter onde se esconda,

Os cabelos desfeitos, aparece
E em meus braços se atira. Então, absorto,
Vi que o corpo, quando ama, desfalece,
Vi que o rosto, ao beijar, parece morto.

Como se o beijo os lábios lhe torcesse,
A boca toma a forma de um sorriso
Que se contrai, como se o beijo doesse.

Visões do amor, possuídas mas incertas.
O corpo se entregou, mas indeciso,
E deixou-se cair de mãos abertas.