Sonnet suicidium
Ioachim Cardozum [versione libera]
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)

reserare fores propriis manibus
oblivioni dat aditum paradisi.
ubi video cisterna, video horto.
Et fructus aqua invalidum. Motus.

immenso abscissis alis aere
et claudere aperta mente.
essentialiter puncto curvam
quid est homo finem et finis ego sitienti.

Et operaretur terram propriis manibus.
Morte: terra prioris terræ, finis terra,
Et stercoralia tractantem de obliuioni.

Deique motum relaxata semen
Est ac vale nutus; solus et absens
In hoc horto, ego seminant ipse me.


Soneto do Suicida
Joaquim Cardozo

Com minhas próprias mãos abro esta porta
Que dá para o jardim do esquecimento
Onde vejo a cisterna e vejo a horta
De água e fruto inválidos. Movimento

De asas infinitas os ares corta
E fecha o meu aberto pensamento
No ponto essencial da linha torta
Que do ser é limite e acabamento

Com minhas próprias mãos cultivo a terra
Da morte: a terra ex-terra, a finis terra,
E o adubo da Imemória manuseio

O gesto de lanšar uma semente
É como um gesto de adeus; só e ausente,
Neste jardim eu próprio me semeio.