Venus Anadyomène [Rimbaud]

Comme d’un cercueil vert en fer blanc, une tête
De femme à cheveux bruns fortement pommadés
D’une vieille baignoire émerge, lente et bête,
Avec des déficits assez mal ravaudés;

Puis le col gras et gris, les larges omoplates
Qui saillent; le dos court qui rentre et qui ressort;
Puis les rondeurs des reins semblent prendre l’essor;
La graisse sous la peau paraît en feuilles plates:

L’échine est un peu rouge, et le tout sent un goût
Horrible étrangement; on remarque surtout
Des singularités qu’il faut voir à la loupe…

Les reins portent deux mots gravés: CLARA VENUS;
—Et tout ce corps remue et tend sa large croupe
Belle hideusement d’un ulcère à l’anus.

 
Vênus Anadiomena [Tradução livre H.M.deO]
Como de um esverdeado esquife em zinco, a cabeça
de uma fêmea de negros cabelos em pomada embebidos
Emerge d’uma banheira envelhecida, com ares de “me esqueça”,
Com partes calvas, segmentos cá e lá mal cosidos;
Depois do pescoço calcinado e adiposo, vem largos omoplatas
Que sobressaem; o dorso curto que desponta e afasta;
Em seguida o rotundo das nádegas sugere decolar, aparta;
A banha sobre a cútis revela-se em lâminas ou como estátuas:

A espinha dorsal avermelhada, e tudo alastra um acre gosto
estranhamente horrível; Destaca-se sobremaneira exposto
Detalhes que necessário seria examinar à lupa no encosto…

Na alva bunda, pesam duas palavras tatuadas: CLARA VÊNUS;
—E todo este corpo remexe e revela no enorme traseiro, o bônus
repugnantemente linda, com uma admirável ulceração no ânus.