Excavatio
sá arietem (Sá Carneiro)
(accommodatio: H.M. de Oliveira)

in aviditatem haberet quicquam,
perierat ad me quśrebatis
descendo, vacua, nihil invenitur,
mortuus in anima sed non requiem.

me nihil, placuit creare
geram gladio: ego concordio in lucem
et omnia, flamma mitis, et audet.
somniare vi ...

sed victoriæ statim evanescat ...
et cinis cineris, quam ignis ...
- ubi, quia non est in me?

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

falsissimum cimiterium sine ossa
noctibus amore, ore non opprimendi oris.
in principio et in fine, nervorum distentio ...

Escavaçao
Sá Carneiro


Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.

Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à fôrça de sonhar...

Mas a vitória fulva esvai-se logo...
E cinzas, cinzas só, em vez do fogo...
- Onde existo que não existo em mim?

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d'amor sem bôcas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'