V (frigidissimi in tenebris albedinis)
Dantis Mediolanensis


In frigidissimis tenebris albedinis
Cæcior mortuumque vita elucet.
Etiam intra sepulchrum
Ex vacillantibus sob lucis,

Lumen quod lumen quod inquinat
Pendidas petalorum in paludibus tenuisset
Spuma rupibus frigida pura
Ignibusque in summa cæruleam advertit.

Demissione, parturientium contremescant, et dolore
Ponam eam grandior, nigriora inviso
Uisus simile mortuorum tantum in tenebris circuli

Sunt nervum quod dare totum
Patiar, quasi ventus in mari,
Sicut omnium rerum verarum.


V (Na treva mais gelada, na brancura)
Dante Milano


Na treva mais gelada, na brancura
Mais cega e morta, a vida ainda transluz.
Até de dentro de uma sepultura
Brota um soluço trêmulo de luz,

A luz que sua, a luz que desfigura
As pétalas pendidas nos pauis,
A espuma nos penhascos, fria e pura,
As chamas em seus ápices azuis.

Desalentos, angústias e canseiras
Tornam maior, mais tenebroso o olhar
Que lembra o olhar dos mortos: só olheiras

São existências que se dão inteiras
E sofrem, como o vento, como o mar,
Como todas as coisas verdadeiras.