Ludum
Nuno Iudice
(accommodatae: H.M. de Oliveira)

Ego scio quod te amo;
diligere difficiles sunt,
in silentium, præparatio tabula ad ludum
Et extendit super tabulam
omnia loca, committitur:
posuere cathedras contra se,
non potest manibus licet tangere scio
et præter difficultates, dubitavi,
progressus, vel recessus,
nisi forte a casu, est intellectus in oculis.
Tunc illa pervenit,
sicut ventus aquilo per aperta fenestra,
Totum ludum transvolat auras,
frigidus implet cum lacrimis in oculis tuis,
ventilabis me ad intus,
ubi ignis devorabit reliquias nostri.

O JOGO
Nuno Júdice

Eu, sabendo que te amo,
E como as coisas de amor são difíceis,
Preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, sé os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.