titubatione
Nuno Iudice: chance navigabilis [versione libera]
(accommodatæ: H.M. de Oliveira)

limosoque palus obducat amittere nolui me harum viarum in hieme,
aut in caligo collibus,
in novum errore viarum, cursum rivorum in arundineto latitantem
ubi tantum cognoscit ad esse
per strepitu contra flumine saxa.

quærere notum arboribus: arbore amplectendo omnem murum
quia obtulit fructum suum,
ut aperiri per feminæ in verritur areis.
ramos arborem moro quia aspersis tuas manus et habitusque
in purpura labia, divinasse occulta occasum in nubibus;

cupressus in inflectitur in via
quæque cursum persequendum indicare
tenebris viridi cum, propulsare aves.
spero pluviæ patebat
spero hieme finis et immitis eius cursum.

subgrundiis silentium rumpit aquæ tecta iugiter perstillantia
- tamquam non venit noctem
retinendi me sub temporalia tectum protectione
si flumen se non perfuderit,
ipso trviis quæro.

Indecisão
Nuno Júdice: Navegação de acaso

Não me queria perder nesses caminhos
enlameados pelo inverno, na colinas que
a névoa transformou em novos
labirintos, nos juncos que escondem
o curso dos ribeiros que só se sabe
que existem pelo ruído da corrente
contra as pedras. procuro as árvores
familiares: a nogueira que abrašava
o muro a toda a volta, e oferecia
o seu fruto para que as mulheres o
partissem nas eiras; os ramos
dessa amoreira que te sujou as tuas mãos
e o vestido, e no roxo dos teus lábios
advinhei o poente que as nuvens
escondiam; cipreste que se erguia
numa curva do caminho, como se
indicasse o rumo que se teria de
seguir com o verde sombrio que
afastava os pássaros.E espero que
a chuva acabe, que o inverno termine
o seu curso implacável, que o silencio
rompa o contínuo gotejar da água
nos beirais - como se a noite não caísse
para me prender ainda ao abrigo
provisório de um telhado, e o rio não
tivesse inundado a encruzilhada que procuro.